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O Parnaso em Frogland
Contou-me o parnaso que certa vez, o mundo lhe foi revelado. Contou-me o parnaso que nem o sono latente, nem a sirene que anunciava o partir de cada estação o impediram de ver a Arcádia e a beleza idílica de Jundiapeba. Entre as rudes faces de gente cansada pelo tempo e mal-tratada pela vida, descortinava-se ali um Brasil tão maiúsculo, tão pujante e tão diferente do brasil que por vezes se vê. E contou-me mais. Contou-me o parnaso que este Brasil é anônimo, herói sem fama nem pompa, que acorda todas as manhãs sem saber o que esperar dessa Ítaca, sem Penélope, sem Telêmaco, sem Ulisses. Falou-me também o parnaso sobre mais uma batalha perdida. Contou-me o parnaso que Marilia já não ama Dirceu e que a boêmia lascívia foi mais forte que qualquer poesia lírica. E Dirceu? Pobre Dirceu. Já não sabe se é parnaso ou se é palhaço, decepcionado com uma cantiga de amigo, que era pra ser de amor e soou como de escárnio. Contou-me o parnaso que ao assistir a vida que se anunciava naquela manhã pode ter certeza, que nada mais pode esperar dela. Pois se Marilia não é Marilia e se Dirceu não é mais Dirceu, do que vale a escrita à pena e a noite mal-dormida? E pouco importa se o parnaso era árcade. Tolo. Pois a própria revolução pela qual luta o árcade o desautoriza de o ser. E o que resta ao parnaso? Fechar seus olhos para esses rostos. Fechar seus olhos para esse mundo e lembrar-se das Cartas Chilenas e do Fanfarrão Santiago. Lembrar-se que um dia foi árcade, foi parnaso, foi Ulisses e foi Dirceu. Hoje é Paulo. Mais um brasileiro no trem com destino a Guaianazes.
Uma hora e não-faço-idéia minutos da madrugada e eu, na minha insônia habitual, estava a arrumar o armário. Pausa. Sim, sou um grande animal noturno: lavaria, estudaria, comeria, faria tudo à noite, se não houvesse aquelas besteiras de que “tomar sol é imprescindível à vida...”... Os médicos, meu pai incluso, não sabem de nada. Porém, tergiverso; À história: Eis que, ao sair do meu quarto, que se localiza na garagem e fica, portanto, à mercê de insetos provindos dela, me deparei com um monstro horrendo e alado: uma barata. Fiquei abalada. A barata é um dos poucos insetos que me deixam atônita, afinal, é cheia de artimanhas, pode ou não voar (o que é um mistério), tem movimentos aleatórios (às vezes imóvel, às vezes “Corra, Lola, Corra”) e, quem nunca reparou, repare, é cínica, sabe o efeito que causa, ao menos em mim. Depois de encará-la, fiz barulhos, como quem diz diplomaticamente: “Tenho um chinelo e vou usá-lo!” - O que jamais faria, pois, pior do que a barata em si e ter de esmagá-la. Foi um blefe. E, talvez pela minha falta de prática (nunca joguei muito truco) ela não acreditou. Passou pelo vão da porta do meu quarto, mesmo eu tendo voltado e tratado de colocar o tapete do banheiro e meus chinelos ali. Comecei a acreditar em reencarnação, e naquela sendo a de Freud; O bicho tinha total controle da minha mente! Sabia aonde surgir pra me causar pânico ou quando ficar parado pra se deixar contemplar. Por esse último gesto, começou a me comover. Era já uma barata de meia idade, vivida, meio capenga de uma perna, sem o vigor da juventude. Ficamos por um tempo nessa miragem mútua, nos adivinhando. Quando já me sentia numa história da Lispector ou num estágio pra Metamorfose do Kafka, a barata avançou, eu peguei o rodo e a esmaguei. Foi rápida, mas uma bela amizade, com direito a lágrimas no fim.
Moral da história:
O final poderia ter sido menos trágico se no mesmo dia eu não tivesse que prestar vestibular. Ou seja, provas e amizade não combinam.
Carolina Mozão
Retrospectiva 2006 – O que esquecer e o que lembrar.
Papai Noel já foi. O peru também. Melhor. Ao menos assim podemos pensar e discutir 2006 sem a interferência dos ícones natalinos. Nada de falar de Noel, de Guerra do Iraque ou da Eleição do Lula. Não. Isso é na Globo, Na USina agente só faz o melhor. E o melhor mesmo é falar d’agente. Não importa se de branco na praia ou de pretinho básico na balada, antes que este 2007 entre com tudo, peço que tente desviar da champagne, do sogro bêbado, dos amigos bêbados, do cão bêbado, pra olhar um pouco para trás e pensar no que passou. Ver que você fez muito pouco, ou quase nada do que planejou pra 2006. E que bom! Vamos brindar essa vida mutante, imprevisível, surpreendente e maluca. Brindar? Pra quem acompanha essa USina desde o começo sabe que esse 2006 não foi muito pra comemorações pra mim haha. As guinadas que a vida andou dando comigo pelo caminho, só me fizeram mesmo foi vomitar pela estrada e quase não chegar lá ..
“Se a coisa não é do jeito que eu quero, também não me desespero, o negócio é deixar rolar”. Voltaire? Nietzche? Marx? Não. Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho mesmo. Verdade que 2006 não foi nada do que eu esperava. Mas e daí? Olha pra trás sim! Chorar de novo não. Essa é a melhor simpatia que posso deixar à vocês. Pensem! Reflitam! Pensem nos seus atos, naquilo que você fez e no que pode fazer de bom para o próximo. O próximo! Que tal colocar a cabeça pra funcionar? Que tal colocar em pratica o respeito e a união apregoados no Natal? Mais cabeça e menos impulso galera. Vamos guardar o impulso e o espontâneo pra hora certa. Pro beijo roubado na rodoviária, pro abraço forte no aeroporto, pra troca de olhares na praia, pro primeiro beijo no parque. Ahh .. Como esse texto soa jovem e pueril. Confesso que tinha escrito um outro tão triste e pesado quanto um elefante carregando chumbo. Cheio de tristeza e lamentações. Resolvi fazer melhor e deixar minhas lamentações em 2006. Na fogueira que ascenderei em ode a ti 2006, colocarei tudo que me deste, assim como tudo que me roubastes. Levo no meu coração somente aquele beijo no banco, sem graça, sem gosto, nervoso, mas de amor desinteressado e sem malicia. Este sim, nunca esquecerei.
Que 2007 possa ser o ano da vitória! Da nossa vitória sobre as dificuldades, sobre os empecilhos sobre as pedras do nosso caminhos. Que venham as pedras! Serei um pedreiro! Haha. Agora a USina entra em férias, pois este que vos fala aproveitará o recesso para viajar um pouco. Para aonde? Haha. Aguardem noticias! Em janeiro voltaremos com a nova redatora da USIna, Carolina Mendes ou só Mozão para os íntimos. Por isso eu chamo de Mozão e vocês de Carolina ok? :-)
Ps: E o que operou essa mudança em mim? O que fez substituir um texto de chumbo por um de algodão? Ouçam “Sem graça” de uma banda paulistana chamada Vilania. Vocês vão entender. Não precisa nem estar com o coração ocupado como eu. Se estiver, melhor ainda. Até mais!
Caros leitores
Fevereiro chegando .. as férias indo embora. Já ta na hora da USina "pegar no breu" né naum? Haha. Na verdade, já pegou! O texto da nossa querida Carolina Mozão atingiu 117 acessos e 9 comentários. Na minha opinião, o sucesso de um texto não se mede apenas por números. No entanto eles, os numeros, refletem e indicam o quanto vocês leitores prestigiaram a estréia da nossa nova colaboradora. E vão se acostumando! Muitas estréias vêm por ai ... aguardem!
Por enquanto é a minha vez. O texto "O Parnaso em Frogland" foi concebdido num vagão de trem na cidade de Moji (com J mesmo) das Cruzes, as 5 e tantas da manhã, ainda sob os efeitos de muito sono e da digestão de um filé bem passado com fritas. O resultado dessa complicada (e deliciosa) alquimia? Confiram ai ao lado.
Pilão
Editorial: Janeiro de 2007
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